Não é fácil.

Se  você é desenvolvedor de jogos no Brasil, muito provavelmente já sabe disso. Se não o és, fique sabendo.



Ainda assim, precisamos transcender relevantemente esse discurso realista, mas desencorajador, através de ações que superem o saldo negativo, ambientalmente gerado, com o qual a imensa maioria dos desenvolvedores brasileiros já começa, quando engaja-se na profissão.

Devemos deixar para trás as tantas dificuldades em busca de um sonho – visto que a brutalidade de nosso ecossistema de desenvolvimento não costuma abrigar os que nele estão por qualquer coisa que não um desejo profundo – e transformarmos frustração em trabalho. Ao menos, é o que prescrevo para mim.

Não é fácil.

Essas palavras, quase simplistas, são um desabafo perplexo de um desenvolvedor que está em dúvida: não quanto à própria escolha profissional, mas quanto aos meios a serem seguidos para se alcançar a tríade da satisfação no emprego, que entendo ser composta por relevância do trabalho, remuneração satisfatória e boas condições de exercício laboral.

Trabalho em casa, assim como tantos outros. Isso, por si só, cria problemas próprios. É impagável a possibilidade de não ter que sair do lar – e enfrentar o caos urbano – para ter que trabalhar, e ainda fazê-lo de cuecas e sem maiores compromissos sociais com o mundo.

Entretanto, pessoas pouco disciplinadas como eu sofrem por, pasmem, não estarem sob a obrigação velada criada pelo olhar de um superior, pela ameaça da demissão.

Devo ser otimista, e pensar na parte boa. Quase sempre há algo desejável.

Não bastasse, sou muito distraído, a ponto de considerar que tenho TDA. De tal maneira, me é difícil passar cinco minutos sem me perder em um devaneio interno qualquer, mesmo quando não deveria. Estive, nos últimos 28 anos, oscilando frequentemente entre dois mundos.

E ainda há o governo, a falta de formação da maioria dos colegas, a escassez de dinheiro, a lentidão com a qual o nosso mercado pare seus rebentos, a dificuldade de se conseguir um emprego na área e, por fim, o nem sempre presente estímulo dos ao meu redor.

Mas, essa relação não pode ser apenas reclamações e incerteza.

A oportunidade de fazer alegre uma pessoa que muitas vezes teve um dia ruim, o engajamento em trabalho criativo, a transcendência originada na conclusão de cada trabalho, a possibilidade de se contribuir com a formação humana dos jogadores e talvez o mais importante: trabalhar com algo que faz parte da minha vida há 20 anos.

Se você aguentou ler até aqui, saiba que não há respostas simples, nem foi meu objetivo aqui evidenciá-las. Se você acredita que há uma saída para o desenvolvimento de jogos no Brasil que não passe por um aeroporto em direção a um lugar mais propício à atividade, continue tentando.

Força sempre.

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