Eu não morri, ainda.

Escrevo depois de ler, no Kotaku, que a era dos MMOs pagos mensalmente está para acabar. Textualmente:  já está morta.

Não consigo crer nisso.

E, antes que Agosto acabe, penso que devo escrever sobre como somos adaptáveis e manipuláveis. Vejo os rompantes dos que tentam enterrar o modelo de mensalidades e expansões pagas, do qual também não gosto, e lembro que, antes da chegada de Guild Wars e seu modelo distinto de cobrança, pagava-se alegremente as mensalidades de Ultima Online, World of Warcraft e Everquest.

Mas os tempos mudaram e as pessoas perceberam o que parece óbvio: é exploração cobrar duplamente por um jogo, e jogos não são serviços, primeiro ao se comprar o produto e depois ao se pagar a mensalidade. Pensam que a farra acabou, mas a verdade incômoda de que ela só existiu porque permitimos não é mencionada nas flamejantes sessões de comentários dos sites da vida.

Como a maioria das pessoas não é dotada de senso crítico muito apurado, ao menos não para a maioria de proposições que a realidade nos apresenta, eu não me espanto. Também comprei, com a fidelidade de quem compra o carnê do Baú, as caixinhas do World of Warcraft. Também colaborei para um mercado que ,via de regra, cobrou o quanto pôde e ofereceu o quanto quis, em expansões nem sempre interessantes de jogos que arrecadaram milhões e gastaram milhares em seus desenvolvimentos.

As vezes, penso como seriam vários MMOs AAA se as respectivas empresas gastassem com os mesmos metade do que vertem para os acionistas. O que seria do World of Warcraft, meu eterno desgosto, se a Blizzard investisse 50 milhões, mais ou menos metade do que arrecada mensalmente com o jogo, em Azeroth? Amargo, percebo que boa parte do que investi alimentou os bolsos de pessoas que nem de games devem gostar.

Coisas da vida.

Daqui há muitos anos, poderá haver quem ache completamente absurdo como os jogadoress do início do Século XXI aceitavam pagar a mais por conteúdo que já deveria estar incluso no preço dos jogos, perdiam tempo em atividades repetitivas tentando destravar elementos, e se submetiam a pagar qualquer valor quando poderia haver propaganda para sanar os custos.

É… hoje, cheio de mim e crítico; amanhã, alvo de chacota pelos que me sucederem. Sempre fomos vítimas de nosso tempo.