Há quem busque na experiência lúdico-narrativa um fragmento do que dizem ser o significado de algo. Vida, situação ou evento, sempre há um elemento da existência a nos deixar confusos, talvez perplexos. É também do espanto que surge a busca por uma explicação, por qualquer sentido.  Seja através das narrativas em formação dos RPGs de mesa, das narrativas embutidas dos grandes adventures do passado ou das space operas da Bioware, intuo que devem haver outros como eu, fazendo da experiência de certos jogos algo existencial, na tentativa de entender melhor o mundo, e a mim mesmo.

Há títulos que tornam essa conexão mais fácil, mas o surgimento de um tema mais provido de significado é muito mais vinculado à uma intenção narrativa do que a qualquer peripécia técnica. Há quem veja no Greed Corp uma indução à uma reflexão sobre as nossa finitude de recursos, assim como há quem mate milhares em Orcs Must Die! sem qualquer tipo de reflexão sobre as consequências de um assassinato. Creio que o fornecimento desse sentido não é um processo unilateral, e que há abordagens narrativas que são mais favoráveis à análise do que há além das aparências; vale a pena tentar entender qual é o lugar artístico dos jogos.



Serão os jogos um elemento de arte, ou ainda uma fonte de entretenimento? A arte tem como prioridade entreter? Os jogos precisam necessariamente expressar?

Essas são algumas das perguntas que sugerem como é imprecisa a existência dos video-games como mídia. Sabemos que são uma forma de entretenimento com potencial artístico. Entretanto, tal hibridismo cria empecilhos para a busca de uma forma máxima dessas obras: como podemos aspirar pelo jogo perfeito se não temos certeza sobre as características que o mesmo deve ter, já que não há consenso quanto à definição do proposito humano para os jogos.

Apesar de tais dúvidas, imagino que os jogos eletrônicos, assim como a ópera, sejam artes totalizantes. Por isso entenda-se: “arte que se utiliza de diversos formatos artísticos, em sinergia, para expressar uma realidade”. Por assim parecerem ser, talvez haja nos jogos eletrônicos a irreverência sorrateira de algo que não se permite classificar, e que faz disso um elemento de apelo.

E como diria o V, “o resto é Vaudeville”.