A gente quer diversão e arte… vocês provavelmente conhecem a música.

Não dá para tratar de video games sem considerar ao menos uma vez o fato de que jogos são uma fonte de entretenimento que, eventualmente, não entretém: ao menos, se considerarmos o entretenimento como uma fonte de satisfação emocional e de prazer. Isso muitas vezes acontece quando estamos lidando com jogos de essência complexa ou difícil, quase erudita. Tentarei ser mais claro:

Aquele componente mágico que nos dá a sensação de que um jogo é bom provém, penso, das gratificações que recebemos enquanto jogamos, algo quase Pavloviano: fazemos uma tarefa e recebemos uma recompensa pelo sucesso. Um título que fornece gratificações demais e com pouco desafio pode ser considerado muito fácil, banal; ao passo que o oposto pode provocar a impressão de uma experiência frustante e estressante.

O problema está em se obter um meio termo.

Mas é realmente necessário haver um meio-termo? Não estamos vivendo uma amplitude de títulos que permite agradar a todos os nichos, inclusive aos gamers que não têm sua satisfação ao lidar com jogos fáceis? Será tempo de aceitar os extremos nos jogos, como os  da violência, nudez, sexo, casualidade e dificuldade como partes integrantes dessa miríade de produções?

Tratar sobre entretenimento em jogos é algo delicado, pois incorre-se em um juízo de valor ao se afirmar que um determinado jogo é (ou não) divertido. E, de fato, a diversão possui muitas apresentações, a ponto de não haver unanimidade sobre o potencial de entretenimento de um jogo, pois o que parece fascinante para uns é meramente desinteressante para outros, and it goes on.

Também deve-se considerar que não tenho conhecimento sobre quaisquer consensos acerca de dois termos bastante mencionados no mundo dos jogos, e também pertinentes a essas divagações: casual e  hardcore.

Um jogo com desafios fáceis pode ser hardcore? Um jogo casual pode ter desafios difíceis? O paciência, tido como casual, não seria um exemplo disso? O xadrez é hardcore? Um jogo hardcore pode ser jogado de maneira casual? Posso ser um jogador competitivo de Cityville?

Não creio que possamos chegar a um consenso sem que esses termos sejam claramente definidos e , a partir disso, possamos tentar definir quais os elementos que tornam um jogo divertido. Sei que esse estudo conceitual é um trabalho quase filosófico, mas creio que a indicação da utilidade do mesmo é válida, pois já tivemos consoles lançados com o discurso da ênfase na diversão e na acessibilidade.

Como não me parece momento para tentar responder essas e outras perguntas, vos deixo a minha confusão, nessa partilha de dúvidas e inquietações. Espero que possamos, como jogaores, não nos contentar com a afirmação que algo nos diverte, podendo transcendê-la ao tentar entender porque algo nos diverte.

Um eco distante me vem à mente, oriundo de um período de rock entusiasta e de vontade de ficar famoso.

“Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto.”

Isso é o bastante, gente?