Na quarta-feira, durante o julgamento de Anders Breivik, terrorista responsável pela morte de 77 pessoas na Noruega em 2011, o procurador Svein Holden interrogou o réu sobre seu vício por World of Warcraft. Além de responder que o game não tivera “nada a ver” com o atentado, o acusado falou: “A promotoria tenta apenas me ridicularizar”. Após a audiência, o jurista explicou que sua intenção era mostrar incoerências nas explicações de Breivik e ajudar a determinar seu estado de saúde mental.

Uma nova evidência que contextualizou o interrogatório dizia respeito às quase sete horas diárias que Breivik dedicara ao MMORPG por vários meses consecutivos antes do ataque. Em abril, o antropólogo norueguês Thomas Hylland Eriksen (vídeo), chamado para analisar o caso, já havia relacionado o jogo à tragédia, alegando que o réu não parecia ser capaz de distinguir o mundo “virtual de World of Warcraft e outros video games da realidade”.



Pelo fato de ter declarado dedicação integral, em ocasiões diferentes, tanto ao game quanto à redação de um manifesto ideológico de 1518 páginas, o assassino também foi questionado sobre esta aparente contradição. “Você é procurador em tempo integral e, portanto, tem certamente hobbies quando chega em casa à noite”, replicou a Holden.

De acordo com a promotoria, o terrorista jogava Warcraft com os apelidos “Andersnordic” e “Conservatism”. Nos arquivos de 2008 de um fórum voltado ao MMORPG, “Andersnordic” havia se queixado de estar “com 300 kg, careca e pálido” por causa da Blizzard. Ele concluíra com um recado para a produtora: “você vai ouvir do meu advogado!”