Em 2007, Michel Levy, presidente da Microsoft no Brasil, queria que o governo norte-americano interviesse na proliferação de software aberto (Open Source) no nosso país. De acordo com documento vazado pelo Wikileaks, em reunião com o embaixador Clifford Sobel, o representante da multinacional acusou o governo brasileiro de postura “antagônica” e “antiamericana”, referenciando o estímulo, capitaneado pela então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao formato Open Document.

E, em 2012, não é que o “antagonista” estendeu uma mão à “mocinha”? Nesta semana, foi anunciado um importante acordo entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Microsoft, ajudando novos empreendimentos, dedicados principalmente à criação de games, por meio de incubadoras em cinco ou seis cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife já foram definidas). Segundo Virgílio de Almeida, secretário de política de Informática do MCTI, “jogos eletrônicos representam o avanço do século 21. Nós temos que treinar as próximas gerações para evoluir num ambiente complexo. Daí vem a importância dos jogos. Além da capacidade lúdica, os jogos auxiliam no ensino”.



Um dos modelos de incentivo – a ser expandido no Brasil e já aplicado pela Microsoft em aproximadamente 100 países – é chamado Bizspark. Basicamente, uma estratégia para atrair o desenvolvimento à plataforma Windows e, consequentemente, tentar desacelerar a propagação de softwares abertos. Felizmente, trata-se de uma iniciativa que segue a teoria do livre mercado, não uma teoria da conspiração.