A idéia de representar imagens em 3D através da TV, monitor, salas de cinema e fliperamas não é nova. A quase 20 anos, em 1991, a Sega lançou o arcade Time Traveler, o fliperama de um jogo de ação filmado (no melhor estilo Sega-CD), e em 1992 um jogo de luta que… mostrava gráficos 3D. Estes arcades não usavam nenhuma mágica como monitores de alta frequência e óculos com filtros especiais, ele simplesmente renderizava um holograma!

A imagem era perfeita, personagens 3D literalmente fora da tela, uma vez que os hologramas são literalmente projetados fora da tela, no melhor estilo “Doutor” (o médico da nave USS Voyager, da série Star Treck). Então eu fico pensando, onde o mundo quer chegar com a reinvenção do 3D?

Algum tempo antes do lançamento deste arcade já se explorava a emissão de imagens em televisores e projeções de cinema de forma que, com a ajuda de um óculos de lentes coloridas, fosse possível sentir a profundidade do ambiente como se estivessem mais próximos que a tela, exatamente o ponto de exploração do mercado de “Motion 3D” atual. Não muda nada. Bom, praticamente nada.

A sacada recente foi simplesmente aumentar a frequência de atualização da tela, de habituais 40~60hz para 120hz, e utilizar óculos digitais (conectados no monitor) ou com filtros que captem cada lente, metade destes quadros. Desta forma, um filme pode lhe enviar o dobro de quadros (ou a atualização do mesmo quadro, mascarado), de forma com que cada olho receba um ponto de vista diferente, onde, ao processar a imagem, forme uma imagem de sobreposição, como se não houvesse projeção desta imagem.

Obviamente esta tecnologia é muito mais avançada e a qualidade é impecável comparada a aqueles óculos de papel celofane com lentes de cores vermelho e azul, mas a idéia, de longe, não é nova.

Eu não tenho absolutamente nada contra a tecnologia, a Sony inclusive já está vendendo televisores, óculos e já anunciou que seu console PlayStation 3 datá todo o suporte para geração de “Motion 3D” (Muitos jogos antigos, como o Wipeout, já podem ser vistos em Motion 3D), a NVidia também já entrou no mercado a um bom tempo, assim como diversas fabricantes de monitores,porém a exploração desse mercado não consiste somente em avançar tecnicamente.

A idéia de projetar Motion 3D em um cinema é fantástica, já que você está pagando pela infraestrutura do ambiente, fez do filme Avatar um sucesso, mas, suponhamos que você esteja em casa, chama sua família inteira e uns 12 amigos pra fazer uma sessão de cinema na sua casa para inaugurar aquela p*** TV de 52′ com Motion 3D que você acabou de comprar… você vai comprar óculos pra todo mundo? Eu acho que não. Quem usa óculos, ou mesmo quem não usa mas possui deficiências distintas em cada olho, terá mais um empecilho ao usar um óculos 3D. Não acho que o mercado irá vender óculos 3D com grau.

Estou votando no contra, obviamente nenhum estudo tecnológico é desperdiçado, só acredito que estão tentando vender isso para o público errado.