O preconceito com os games ainda é grande, mas já foi muito maior ao longo das últimas décadas. Fantasias absolutamente simples que – se comparados às histórias extremamente realistas dos dias de hoje, podiam ser consideradas até infantis – chegaram até a ser proibidos por legislações arcaicas e moralismos anacrônicos.

Há muita desinformação, e isso não fica restrito aos jogos eletrônicos. Alguém consegue explicar o motivo de não existirem cassinos no Brasil até hoje? Nenhum outro anacronismo – e por que não dizer hipocrisia – é maior do quê o que ocorre com o nosso controverso jogo do bicho. Modalidade lotérica tipicamente brasileira, ele é proibido no país.

Não que alguém não possa jogá-lo. Nada mais fácil que encontrar uma banquinha de apostas em quase todas as cidades do país. E via internet também, por que não? Mas, como quase sempre ocorre, as autoridades fingem que ele não existe e as pessoas fingem que não jogam sempre que quiserem…

Com os games, acontece algo bem parecido. Basta acontecer algum incidente onde o autor da penalidade seja jovem que aparecem pessoas que se dizem especialistas para afirmar que a influência de jogos violentos é a principal causa de aquilo ter acontecido. Como se os telejornais não mostrassem ainda mais violência e atrocidades…

Existem muitos jogos extremamente controversos que continuaram a ser vendidos, alguns poucos com restrições etárias. Poucos chegaram realmente a serem proibidos. Vejam alguns que sofreram campanhas de difamação, mas se tornaram grandes sucessos de vendas. Será que você já conseguiu zerar todos eles? Se ligue!

Carmageddon

Esse game dava pontos para quem matasse pedestres! Muitos gamers foram contra, ele quase se tornou unanimidade negativa. A fama fez com que  acabasse se tornando um grande sucesso na clandestinidade.

GTA

A polêmica de Carmageddon acabou manchando a reputação de outros games, como aconteceu com o GTA. A polêmica inicial – pelo roubo de carros e posterior evolução no mundo dos “crimes” – acabou sendo diluída, ao longo das novas versões da franquia.

Doom

Parece mentira, mas lá em 1993, este game causou uma grande polêmica porque foi um dos pioneiros do gênero “tiro em primeira pessoa”. Hoje em dia, ele é muito ultrapassado – chega da dar dor de cabeça e tontura em algumas pessoas – mas fez bastante sucesso.

Bully

Outro game que chegou a ser proibido no Brasil, além do Carmageddon. Como o próprio nome revela, ele “incentivava” a violência e o constrangimento ao abordar de maneira amoral temas como a sexualidade, a agressividade nas escolas. A diferença é que o protagonista sofria com isso, ele não praticava nos outros personagens.

Mortal Kombat

Lançado inicialmente em fliperama, logo depois ele foi ampliado para PC e consoles, onde se tornou extremamente popular. Principal motivo para a controvérsia: o sangue abundante que jorrava dos personagens atingidos por socos e chutes.  A violência explícita dos “fatalitys” chocou alguns pais e educadores.

Duke Nukem 3D

A mistura de violência explícita com o conteúdo adulto causou furor no mercado e levantou muito hate. Havia uma atmosfera de permissividade do pior que uma sociedade pode oferecer, segundo os críticos mais ferrenhos. Era possível matar personagens de outros planetas e depois, literalmente, fazer cocô em suas cabeças. Bem nojento…

O que muitos estudiosos sobre a natureza humana costumam afirmar é que a agressividade é algo inerente às pessoas. Todos possuem uma certa quantidade dentro de si. Os games ajudariam a liberá-la de uma maneira inofensiva, como quando uma criança começa a fazer judô, por exemplo. Todo preconceito não passa de conservadorismo e desinformação.