A vida cotidiana é muitas vezes tão corrida que acabamos tendo pouco espaço para o entretenimento. Mas, quando conseguimos um tempo para a diversão, fazemos o possível para aproveitá-lo da melhor maneira. Assim foi feito com os esportes físicos, primeiramente praticados em nossas vizinhanças e posteriormente transformados em espetáculos que movem bilhões de pessoas e de dólares no mundo todo.

Muitos são aqueles que quiseram se projetar como atletas dos mais diferentes esportes, especialmente no Brasil, onde o futebol é a grande paixão nacional – e muitas vezes uma das poucas ferramentas de mobilidade social para as pessoas menos privilegiadas da nossa sociedade. Entretanto, nem todos possuem as proezas físicas necessárias para se tornar atletas, o que no passado podia fazer com que essas pessoas se sentissem isoladas de certos grupos sociais.

Por sorte os tempos mudaram radicalmente. A busca por novas formas de entretenimento que vão para além da música e do cinema nos levou aos videogames. Naturalmente, o meio desenvolveu um ambiente altamente competitivo, com disputas em pontuação de jogos clássicos como Pac-Man e Space Invaders logo se tornando um enfrentamento direto, graças aos jogos de luta. Assim nasciam os eSports.

Houveram tempos em que se quis relegar esse cenário competitivo envolvendo jogos eletrônicos – que vão da simulação de futebol no FIFA aos complexos MOBAs em Dota 2 e League of Legends – como algo à parte dos esportes tradicionais. No entanto, é impossível não ver os eSports como algo alinhado a seu “irmão mais velho”.

O processo de evolução é até bem semelhante. Inicialmente, jogos como Starcraft, que foi inspirado em obras de ficção científica como “Star Wars” e serviu de base criativa para Space Digger, jogo de caça-níquel online, são jogados de maneira individual por milhões de gamers. Esses jogadores passam então para o ambiente online e começam a competir entre si até que um deles tem a iniciativa de criar um campeonato no “mundo real”. Este cresce a ponto de começar a atrair multidões na forma de audiência, com patrocínios e atenção da mídia vindo a galope.

Um dos exemplos que melhor ilustram esse processo é League of Legends. O primeiro mundial do jogo, que é hoje a base de um dos mais populares eSports do planeta, foi realizado de forma quase completamente amadora no Dreamhack 2011, evento organizado na cidade de Jönköping, na Suécia. Até hoje os fãs chamam o “palco” de “porão do Phreak”, sendo este um narrador norte-americano que é parte da cena desde estes tempos.

Este ano o mundial será disputado na Europa em um tour que começou em Berlim, na Alemanha, e em Paris, na França. Entretanto, seu principal atrativo continua sendo a audiência virtual, que chegou a quase 100 milhões de espectadores no ano passado. Na China, país com quase 1,4 bilhão de habitantes, a audiência tanto do mundial quanto da sua liga doméstica, a LPL, bate a casa das dezenas de milhões.

Os ganhos para os pioneiros são imediatos. O salário médio do jogador de League of Legends profissional nos Estados Unidos já chega a 1 milhão de reais, e isso não inclui o dinheiro feito por meio de acordos de patrocínio, premiações por desempenho e, principalmente, streaming, que tem se tornado uma das principais fontes de renda para os talentos dos eSports.

Em um panorama geral, os eSports ainda estão distantes de tomar de vez o lugar dos esportes tradicionais, mas seus números crescem em ritmo forte, com o cenário em si projetado a ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares de receita no mundo este ano. Portanto, para aqueles que queiram entrar em um mundo que já se prova bem lucrativo para quem nele está inserido, o momento é agora.