Apresentação

Outward é um jogo de RPG de mundo aberto bem no estilo Old School, desenvolvido pela Nine Dots Studio e publicado pela Deep Silver.

Com mecânicas que lembram muito a jogabilidade de Dark Souls, e várias outras regras que na maioria dos casos só existiam em jogos de RPG de mesa. Esse jogo, apesar de ter sido modestamente divulgado pela Deep Silver, chegou bem de mansinho, sem muito alarde e pegou muitos jogadores hardcore de surpresa, incluindo a pessoa quem vos escreve essa análise.

Por se tratar de um jogo de orçamento mais modesto, Outward não possui aqueles gráficos arrasadores dessa geração e o mesmo sequer possui cinemáticas bem desenvolvidas, cheias de recursos e efeitos especiais. Mas mesmo assim, o visual do jogo consegue passar uma atmosfera bem imersiva e ser bonito.

Outward consegue mostrar beleza em seu visual mesmo possuindo gráficos mais simplistas

Sistema e Jogabilidade

Outward possui uma jogabilidade bem complexa e interessante. Claro que o mais importante pra ressaltar em qualquer jogo do estilo são os combates. Nesse ponto Outward não deixa à desejar. Ele segue bastante o estilo de Dark Souls com algumas diferenças. Essas diferenças são relacionada às funcionalidades das armas e utilidade de cada uma, como por exemplo o arco e flecha, que aqui é literalmente uma arma muito eficiente.

O recuo dos impactos das armas de mão, tanto na hora de acertar o ataque, sofrer o ataque, defender e ser defendido também é muito bom. Esse recuo ou impacto muda de acordo com o tipo de arma e tamanho da mesma, também variando para os escudos e tamanho dos mesmos. Armas grandes e pesadas demoram mais pro jogador se recuperar dos impactos em relação às armas pequenas, tanto na hora de acertar o golpe ou o mesmo ser defendido.

As noites no jogo podem ser bem escuras. Evite à todo custo combater inimigos e monstros com pouca iluminação

A IA dos inimigos também não é ruim. Os inimigos vem te atacar meio que freneticamente, mas é possível vê-los adotando uma certa estratégia quando se estão te atacando em grupo. São estratégias básicas mas que dificultam e muito os combates. Seus inimigos não terão piedade de você e não vão ficar esperando o parceiro deles morrerem pra só depois poderem te atacar. Eles simplesmente vão para cima sem misericórdia enquanto algum ou alguns deles vão guardar suas respectivas espadas para te acertar de longe com flechas ou magia.

O peso dos seus equipamentos e também da quantidade de itens que você leva em sua mochila também afeta o seu desempenho em combate. A coisa chega à um ponto que o jogo simplesmente te dá a opção de soltar a mochila no chão para poder lutar eficientemente. Mas ao fazer isso, tenha certeza de que os itens de status e cura estão no bolso de sua roupa e não na mochila, pois uma vez na mochila e você soltar a mesma no chão para combater inimigos, pois os itens na mochila permanecerão na mochila e sumirão de seu inventario na hora do combate.

Em combates com mais de um inimigo certifique-se de estar carregando pouco peso, mesmo que seja necessário soltar sua mochila no chão para combater eficientemente

A magia em Outward também é um ponto muito interessante. Ela não traz imersão só ao combate, mas também em diversas situações onde se precise acender uma tocha ou fogueira, clarear um ambiente, se aquecer do frio ou manter a temperatura do corpo fresca em ambientes quentes e escaldantes. Vários efeitos mágicos podem ser adquiridos misturando feitiços e elementos.

Outro fator interessante é que basicamente toda magia de conjuração precisa de um instrumento ou foco. Uma bola de fogo por exemplo precisa de uma “Pedra do Fogo”, e assim por diante. Para se tornar um mago é necessário um sacrifício. Antes de mais nada, é preciso encontrar um local de pura magia e sacrificar parte de sua vitalidade para se transformar em um mago.

Quanto maior o sacrifício maior vai ser o seu poder mágico, mas o custo é alto, pois ao fazer esse sacrifício não tem como se voltar atrás.

Um alto sacrifício é exigido para se tornar um mago. Esse sacrifício não pode ser desfeito. Então pense bem no tipo de guerreiro que você vai querer ser

Um ponto interessante entre as mecânicas de Outward consiste num sistema de dia, noite e clima bem robusto. Aqui acompanhamos os dias e noites como em qualquer outro jogo no estilo. Mas em Outward esses dias e noites são contados e, não só se passam semanas, meses e anos como também acompanhamos as estações do ano. Dependendo da região, podemos enfrentar um verão muito escaldante, sendo impossível transitar debaixo do sol quente sem efeitos colaterais ou até invernos congelantes, onde seu personagem pode contrair um resfriado que consequente se tornará uma gripe e, como se trata de um jogo medieval, morrer. Sim, na era medieval a gripe era mortal.

Com um sistema de clima bem robusto, é sempre bom estar bem preparado, caso contrário você descobrirá que o calor e frio extremo podem ser muito mais implacáveis do que qualquer inimigo ou monstro.

E em Outward não é só o frio que pode fazer com que o jogador contraia uma doença mortal. Diversos outros fatores podem atribuir à infecções, doenças contagiosas e muito mais. Pra cada tipo de doença existe um tratamento ou vários tratamentos e antídoto. Isso vai depender da doença e do nível ou grau em que ela se encontra. muitas vezes é necessário ficar dias de repouso ou tomar um tipo de chá que te dará náuseas durante dias, fazendo com que o personagem possa vomitar ao se alimentar.

E se tratando de alimentos, Outward possui uma infinidade de receitas de diversos pratos diferentes que podem não só alimentar o personagem para se curar ou se sentir descansado, mas também para afetar certos atributos ou até ser usado no tratamento de doenças. Lógico que, dependendo do que você comer, pode te dar uma bela dor de barriga ou até mesmo contrair mais doenças.

A água também é um fator importante, poiso personagem sente sede e precisa saciar a mesma. Mas não é qualquer água que pode ser bebida. O jogo possui vários tipos de água como salgada, suja, contaminada e por aí vai. A água que o personagem pode beber é a água potável e limpa, mas o jogo permite que você beba qualquer uma delas. Tem como transformar cada uma delas em potável mas todo tipo de água pode ser usada para alguma coisa em específico como poções e certos tipos de comida.

Existem uma infinidade de receitas não só para comidas, mas também para poções, remédios e muito mais.

Um fator bem curioso nesse jogo é que quando você morre, na verdade não é a morte quem você encontra. O seu personagem fica inconsciente durante alguns dias e é ajudado por alguém. Ou então é capturado e deixado pra morrer ou até vira prisioneiro e escravo. Nessas situações o jogador tem que conversar com outros prisioneiros, fazer amizade com guardas e achar o melhor momento para conseguir fugir.

O mundo onde Outward se passa é maravilhoso. Aqui temos algo que funciona como se fosse uma mistura de Morrowind com Shadow of the Beast. Mas não é só o visual que é interessante. Como mencionado antes, os dias vão passando e o clima mudando. Mas como já se não bastasse, muitas coisas no mundo do jogo tem um tempo certo para acontecer. São vários eventos acontecendo ao mesmo tempo e não tem como o jogador estar em todos. Num belo dia, você vai estar passeando pelos mapas do jogo e vai achar um cadáver. Ao examinar esse cadáver o jogo dirá que essa pessoa morreu faz pouco tempo. E acredite, se você tivesse estado ali pouco antes, teria salvo o moribundo.

Outra coisa que acontece é que se você tem um compromisso em dentro de 3 dias, e nesse meio tempo ficar inconsciente, estiver tratando uma doença grave ou ser aprisionado e feito de escravo, o compromisso será perdido e a sua história terá um novo rumo. São várias situações que fazem com que o jogo torne um rumo diferente e isso faz o fator replay do jogo aumentar e muito, pois algumas escolhas são tão sérias que afetam a história não só do personagem, mas de parte de todo o mundo do jogo. E essa escolha acontece ao mesmo tempo de outras duas diferentes que você poderia ter escolhido. E cada uma delas te levarão à várias novas escolhas à se fazer. É um mundo muito rico para um jogo que ao primeiro instante, parece ser simples mas não é.

O mundo de Outward é bem bonito e rico. As roupas e armaduras são bem legais e refletem bem um universo medieval.

Assim como em Dark Souls, os saves do jogo acontecem automaticamente o tempo todo. Qualquer coisa que se faça dentro do jogo o save ocorre e quando você é preso, feito de prisioneiro ou perde algum evento importante não tem como voltar no save anterior e refazer as coisas de forma correta. Fez algo errado ou comprou o que não queria sem querer já era. Tá registrado e não tem como voltar.

Isso ajuda e muito na imersão do jogo, pois o mesmo vai fazer de tudo pra te jogar no fundo do poço, e quando você cair vai ter que dar um jeito de sair do buraco. Com isso, o jogador fica muito mais cauteloso e não vai ter só as glórias para contar, mas também os fiascos. E cada evento importante do jogo uma vez perdido não o faz mais. Sendo assim é preciso tomar muito cuidado com cada passo e ainda não demorar muito para dá-los.

A trilha sonora também é um ponto bem marcante no jogo. São composições maravilhosas que passam o clima perfeito para cada lugar ou situação em que o jogador se encontra, não importando se você está em um deserto, cidade abandonada ou caverna repleta de magia. A trilha sonora aqui é algo que merece sim ser mencionada.

As cinemáticas em Outward não são animações de última geração. Elas consistem em imagens estáticas que ajudam à dar um clima de RPG das antigas e cumprem muito bem o seu papel.

Outward também possui um sistema de multiplayer coop para dois jogadores. Jogar nesse modo deixa o jogo extremamente mais divertido e, como o jogo já é bem difícil, uma ajudinha nunca é demais.

O modo coop pode ser jogado online com amigos ou estranhos. Você pode convidar jogadores diretamente ou deixar o jogo aberto pra que outros jogadores possam entrar na sua sessão online. Agora outro fator bem interessante é o sistema de tela dividida. Isso mesmo. O jogo pode ser desfrutado com um amigo no modo coop localmente. A tela é dividida na horizontal e a diversão é bem garantida.

Tanto no modo online quanto no modo local não tive problemas de lag ou qualquer outro tipo de lentidão dentro do jogo. Tudo flui de forma perfeita sem qualquer tipo de problema.

Jogar online com um amigo no modo coop pode ser bem divertido. Mas localmente com certeza é muito melhor.

Outward possui sim alguns bugs tanto gráficos quanto relacionados à jogabilidade. Quando os glitches (bugs gráficos) acontecem basta salvar o jogo e reiniciar onde parou. Muitas vezes é só entrar em alguma caverna ou cidade que o erro acaba. Outro bug que acontece muito raramente é o de seu inimigo morto atravessar o chão e desaparecer, fazendo com que você não tenha acesso ao loot. Até agora não tive nenhum problema em não conseguir pegar o loot que era importante para a história, mas pode ser que aquele personagem chave com o loot importante atravesse o chão e aí, como o jogo possui um autosave bem robusto, você não consiga continuar sua aventura.

Considerações Finais.

Embora eu já estivesse de olho em Outward, assim que coloquei as mãos no jogo me surpreendi com o que o mesmo tinha à oferecer. De começo parece ser tudo muito simples para a geração atual. Mas com um vasto mundo aberto, cooperação online e local, trilha sonora envolvente, várias mecânicas de jogo bem legais e uma história bem interessante, Outward conseguiu me divertir e muito.

Se você procura um jogo bem difícil e com muitas coisas pra se fazer, Outward é mais que perfeito para você.

E agradeço à Margaux Notteghem por me enviar pessoalmente duas cópias de Outward para que eu pudesse fazer essa análise. Muito Obrigado.