A franquia Devil May Cry se originou em Outubro de 2001 no console Playstation 2. Originalmente criada por Hideki Kamiya e produzira pela Capcom, Devil May Cry era nada mais que um protótipo do jogo Resident Evil 4. Mas seu produtor, achando que o jogo estava muito distante do que deveria ser um jogo de Horror de Sobrevivência de Zumbis, propôs ao time de desenvolvimento que se transformasse tudo já feito até então em um novo jogo. Assim nasceu Devil May Cry, o divisor de águas no estilo Hack n’ Slash. Com um sistema de câmera único, personagens estilosos, combates bem fluídos e cenários góticos maravilhosos.

Imagem do primeiro Devil May Cry de PS2 em sua versão HD, lançado para PS3, Xbox 360, PS4 e XBOX ONE

Devil May Cry foi muito bem recebido tanto pelo público quanto pela crítica especializada. O jogo foi tão bem recebido que até ajudou à alavancar as vendas do console Playstation 2 no Japão, Europa e Américas. O jogo recebeu várias sequências e como de costume, seus personagens várias participações em outros jogos da Capcom.

Em 2013 foi lançado DMC, o que seria um reinício da franquia. Produzido pela inglesa Ninja Theory e publicada pela Capcom, o quinto jogo da franquia, apesar de ter uma excelente jogabilidade e uma história bem interessante, não agradou muito aos fãs, que alegavam não querer um reboot da franquia, e sim que fosse continuada a história de onde parou, com todos os personagens que já tinham cativado toda a base de jogadores.

Dante em seu reboot de 2013 DMC. Excelente jogo mas um tanto quanto mal compreendido pela base de fãs.

Depois de anos na geladeira, a Capcom finalmente revelou que estaria trabalhando na sequência para Devil May Cry. Sendo revelada na E3 de 2018 durante a conferência da XBOX. O trailer agradou não só os fãs da franquia, como também a crítica especializada, se tornando um dos jogos mais aguardados dessa geração.

Depois de tanta espera e tantas expectativas, Devil May Cry finalmente foi lançado no dia 8 de Março de 2019.

Sistema e Jogabilidade

Combate

Devil may Cry 5 possui a mesmo sistema de combate rápido e elegante que sempre existiu na franquia, mas com algumas melhorias e novidades.

• Dante – Protagonista de longa data da franquia. presente em todos os jogos da mesma. A jogabilidade com Dante não tem muito à acrescentar, já que nos jogos anteriores já era excelente. A diferença aqui são algumas armas bem interessantes, e a facilidade em mudar de estilo e armas no meio do combate, afim de conseguir um maior ranque nas sequências de combos. Essa facilidade traz um enorme leque de possibilidades pra cada tipo de jogador. E como sempre, cada tipo de arma ou combo facilita pra eliminar determinados monstros que dão bastante trabalho pra se matar.

A jogabilidade com Dante foi a que menos recebeu modificações, mas houve sim uma grande melhoria relacionado aos jogos anteriores.

Nero – Apareceu pela primeira vez em Devil May Cry 4. No começo os fãs ficaram bem céticos com relação ao novo protagonista da franquia, mas o mesmo se mostrou ser um personagem bem interessante e cativante.

Como já se sabe pelos trailers, Nero perde seu braço em Devil May Cry 5 e o mesmo é substituído por próteses mecânicas chamadas de Devil Brakers, criadas por sua parceira Nico. Essas próteses são o que deixam o combate do jogo mais interessante. São vários braços diferentes, cada um possuindo uma habilidade ou poder diferenciado. E não acaba por aí. Essas habilidades desses braços variam de acordo com o movimento executado e certos braços facilitam bastante no combate contra certos inimigos. É preciso testar cada modelo de braço contra cada tipo de monstro para que se tenha um melhor resultado nos combos e também para se aniquilar seus inimigos mais facilmente.

Nero usando um de seus Devil Brakers. É importante saber onde, quando e em quem usar cada uma de suas variações.

• V – O mais novo e misterioso protagonista da franquia. A jogabilidade com V é bastante diferente e única. Aqui não entramos em combate diretamente com os inimigos. V controla três demônios bem interessantes e esses leais companheiros, apesar de bem poderosos, não são capazes de desferir o golpe fatal e matar seus oponentes. Após enfraquecer seus inimigos, V precisa aproximar-se para desferir seu golpe final, aniquilando de vez a ameaça.

Com V é preciso ficar em uma certa distância até que seus demônios familiares enfraqueçam os inimigos. Após isso V precisa se aproximar para terminar o serviço.

Sistema de Progressão e Habilidades

Ambos os protagonistas possui uma enorme árvore de habilidades, tanto para o personagem quanto pra cada arma ou demônio utilizado. Essas melhorias, como sempre, são compradas com orbes vermelhos. É importante ressaltar que, como são três personagens à evoluir, é preciso escolher sabiamente onde gastar os orbes para não deixar de lado um movimento importante ou essencial para o seu estilo de jogo. Mas se caso isso acontecer, é possível revisitar as fases já completadas antes para receber mais orbes vermelhos e assim comprar o que precisa.

A nova personagem Nico é responsável por todas as melhorias de armamentos, equipamentos e habilidades de Dante, Nero e V.

Mestrar todos os combos, habilidades, armas, familiares, estilos e Devil Brakers leva tempo, o que aumenta drasticamente o fator replay do jogo. E quanto mais se aprende mais se quer jogar, pois os combates de Devil May Cry 5 são uma “Dilícia”.

Cameo System

Essa é uma das funcionalidades mais interessantes de Devil May Cry 5. O Cameo System consiste em sincronizar jogadores ao redor do mundo para se aventurarem no universo de Devil May Cry juntos. Em várias partes do jogo (praticamente o jogo todo), os três protagonistas trilham caminhos próximos e muitas vezes até o mesmo caminho em comum. Quando isso acontece, o Cameo System juntam os jogadores que estão naquele momento jogando o mesmo trecho do jogo com personagens diferentes, e com isso o jogo meio que adota uma experiência cooperativa.

Quando os jogadores são emparelhados pelo Cameo System, o nível dos combates e a diversão é suprema.

Mas a funcionalidade do Cameo System não para por aí. Além de emparelhar os jogadores que estão atravessando o mesmo local, ele também cria uma espécie de competição para ver quem tem o melhor estilo de luta e consegue o maior ranque. É bem simples mas torna o jogo muito divertido. E ao final de cada fase, nós avaliamos se esse nosso momentâneo companheiro foi estiloso nos combos ou não. Quando avaliamos positivo ou ao sermos avaliados, o jogador considerado pelo colega como estiloso ganha um orbe amarelo como prêmio. Orbes amarelos são bem raros e estão bem escondidos no jogo. Então quando o Cameo System te emparelhar com outro jogador, faça valer a pena.

Logo após terminarmos a missão com um coleguinha via Cameo System, temos a oportunidade de avaliar se o mesmo foi estiloso ou não.

No quesito “inimigos”, isso o jogo com certeza faz bonito. São vários os tipos de monstros, demônios, aberrações e tudo mais que se pode imaginar querendo um pedacinho do protagonista da vez. E os chefes são maravilhosos e dão bastante trabalho até serem derrotados.

Os combates contra chefes são um show à parte. Todos muito bem construídos e bem trabalhados. Com certeza um dos pontos mais fortes do jogo.

Outra ferramenta bem interessante do jogo é o Auto Assist. Resumindo, esse sistema vai simplificar os comandos do jogo para que o jogador tenha maior facilidade em conseguir altos ranques de estilo sem complicações. Como estou muito acostumado com a franquia Devil May Cry e sua jogabilidade, eu particularmente não cheguei à usar o recurso. Mas na prática é o que ele se propõe à fazer.

Mais uma coisa que também me chamou a atenção foi o Modo Fotografia. Nesse modo, o jogo fica pausado e escolhemos o melhor ângulo para capturar imagens maravilhosas desse jogo maravilhoso. O sistema é parecido com o Ansel da Nvidia, mas com algumas limitações de movimentação. Quase todas as imagens aqui mostradas nesse review foram capturadas utilizando esse recurso.

Na parte da jogabilidade, a única coisa que tive um pouco de dificuldade foram com as esquivas. Elas funcionam muito bem mas em certas partes ou certos momentos, parece que elas não funcionam ou não respondem tão bem como deveriam responder.

Além dos Combates

Outro fator interessante do jogo é o level design. Aqui vemos o jogo mais linear, bem parecido com o que vimos em Devil may Cry 3. Mas mesmo assim ainda existem vários locais à serem explorados, afim de encontrar itens raros como fragmentos de orbes azuis (que aumentam sua quantidade máxima de vida), orbes roxos (que aumentam sua capacidade máxima de poder demoníaco), Orbes Amarelos (que revive o personagem jogador no exato momento onde o mesmo caiu e com 100% do seu máximo de energia) e também missões secretas, com um desafio mais absurdo que o outro que ajudam muito o jogador à mestrar técnicas de combate e vários outros esquemas. Existe também os bons e velhos quebra-cabeças para usar um pouco o cérebro de vez em quando. Eles não estão presentes em grande quantidade como em outras versões anteriores do jogo mas estão ali.

Encontrar as missões secretas exige que o jogador preste muita atenção à pinturas de pentagramas que precisam ser enxergadas no ângulo correto.

E uma coisa que não posso me esquecer de mencionar é a história. Claro que não vou dar spoilers, mas eu gostei do que vi. Logo de cara ela me impressionou e me deixou bem curioso pra saber como as coisas se desenrolariam Fiquei muito ansioso para ver como as coisas iriam acabar, já que se trataria do desfecho final de toda a franquia. E eu fiquei muito contente com o que vi.

Visual

Devil May Cry 5 é uma obra de arte. Todos os cenários, personagens, monstros e efeitos especiais estão muito bem trabalhados. A quantidade e a riqueza de detalhes é realmente impressionante. Em qualquer plataforma que se jogue, mesmo no XBOX ONE Fat (Considerado o Hardware mais fraco dentre os principais consoles onde o jogo foi lançado), o jogo apresenta gráficos maravilhosos e sem quedas de desempenho durante as lutas e batalhas em geral. Tudo isso graças à poderosa RE Engine, criada pela Capcom para seus jogos atuais da franquia Resident Evil, e que foi usada com maestria aqui. Os desenvolvedores estão realmente de parabéns com o trabalho de otimização do jogo. Outro fator positivo são as animações. Tirando algum detalhe de roupa meio dura aqui ou ali, os movimentos dos monstros e personagens em geral são perfeitos. E as expressões faciais são muito realistas. Percebe-se um probleminha aqui ou ali na sincronia labial com a dublagem do jogo mas isso não acaba por estragar o mesmo.

Gráficos maravilhosos, independente de qual plataforma você decida jogar.

Audio

A parte sonora do jogo, desde ruídos, efeitos de armas e tudo mais foi muito bem trabalhado e está muito bem feito. Eu particularmente gostei bastante das vozes do jogo e da forma que foram trabalhadas. A trilha sonora escolhida para o jogo, seja nas partes de exploração ou nos combates, está mais que perfeita. E se tratando dos combates, as músicas empolgam ainda mais o que já é muito bom. Nos chefes, os temas criados e escolhidos fazem com que cada combate seja uma experiência épica. É totalmente aconselhável ou obrigatório jogar esse jogo com um excelente sistema de som, seja ele um fone de ouvido potente e de qualidade ou uma caixa de som poderosa e que ambos deem ênfase aos graves, pois é dessa forma que os efeitos sonoros de tiros, explosões e a trilha sonora brilham ainda mais.

Considerações Finais

Devil May Cry 5 é de longe o melhor jogo de toda a franquia. Ótima historia, combates rápidos e fluídos, ótima resposta dos comandos, gráficos maravilhosos, animações que beiram a perfeição, excelente expressões faciais, efeitos especiais de primeira, trilha sonora épica e muito mais. Eu particularmente não tive problema algum com o jogo. Ele tem sim algumas pequenas falhas como o leve erro de sincronização labial e mais algumas coisinhas aqui e ali. Mas nada que estrague a diversão e satisfação com o mesmo. Caso você seja fã da franquia, ou de um bom jogo de Hack n’ Slash, Devil May Cry 5 é mais que recomendado. Pois o jogo é tão bom que quando terminamos ficamos com aquela sensação de “quero mais”. Seria legal se a Capcom fizesse uma ou outra DLC, assim como ela fez em Resident Evil 2 Remake, com missões adicionais com outros personagens ou algo do tipo. Mas de qualquer forma a Capcom está totalmente de parabéns. Se esse realmente for o capítulo final da franquia, o desfecho foi com chave de ouro. Vai demorar e muito para eu cansar de joga-lo. Se é que algum dia me cansarei dele…

E para finalizar, eu gostaria de agradecer à Capcom por me enviar uma cópia para fazer esse Review que vos apresento com muita alegria e satisfação.