...ainda em "manutenção"

Como muitos devem saber, a Sony desativou temporariamente as suas redes de serviços online, resumidamente, as redes PlayStation Network e Qriocity.

A rede PlayStation Network é responsável pela conexão de diversos produtos da marca à internet, incluindo os consoles PlayStation 3 e PlayStation Portable. Nesta rede também são vendidos jogos para consoles dispositivos móveis, venda e locação de filmes e séries. A rede Qriocity é integrada ao PlayStation Network, entrega tanto filmes e séries para televisores, blu-ray players e outros dispositivos da série Bravia, assim como também oferece serviços de música sob demanda para diversos produtos da marca, incluindo, também, os consoles PlayStation 3 e PlayStation Portable.

Após uma investigação furtiva, tudo me leva a crer que esta invasão aconteceu devido a uma falha de segurança básica: uma aplicação web desatualizada e insegura – e pelo motivo mais idiota possível: descontentamento de um número considerável de usuários fiéis a marca com as decisões da empresa.

Também em "manutenção"

Não vou detalhar sobre questões de segurança deles, uma vez que não sou pago pela Sony para isso, mas vou falar sobre os motivos que – provavelmente – fizeram a Sony pagar por seus erros, não que após a exploração desta vulnerabilidade faça com que eles mudem sua postura.

Em um post feito em junho de 2010, eu falei sobre as mudanças repentinas da Sony em relação a sua postura, e consequentemente, palavra. Todos os pontos foram focados sobre a plataforma/produto PlayStation 3, e atribuo a esta plataforma o sucesso e o fracasso da marca no mercado de entretenimento atual. Basicamente, as posturas comentadas foram:

  • Rumble – Discurso da Sony sobre o descaso quanto ao recurso de vibração do controle até que a questão fosse resolvida legalmente;
  • Retrocompatibilidade – Suas promessas quanto ao suporte do formato “PlayStation” e a “descontinuidade” da promessa;
  • Linux – A venda do produto como uma central multimídia com capacidade de executar um sistema operacional por completo (recurso “OtherOS”), função que foi removida mais tarde;

… e eu encerrava o post perguntando, “o que vem depois?”.

O que veio depois foi o – até então – não previsível desbloqueio do aparelho, permitindo com que usuários pudessem instalar aplicativos criados pela própria comunidade, e infelizmente, expondo também a pirataria.

A Sony, diferente da abordagem feita por todas as outras empresas (nota 1: inclusive legalmente contra a Apple) (nota 2: exceto a Motorola), resolveu caçar a cabeça do usuário que mais expôs os segredos do sistema embarcado no console PlayStation 3, o tal George Francis Hotz. É claro que ele não fez nada sozinho, inclusive, ele aproveitou as dicas de um outro grupo que havia desbloqueado o aparelho poucas semanas antes para conseguir efetuar essa façanha. Ele só se… expôs demais.

A Sony abriu um processo judicial contra ele, solicitou buscas de apreensão de equipamentos na casa do usuário e pressionou a comunidade para que desconsiderasse todo o trabalho dele. Exceto pelo problema da pirataria, que vem “embarcada” nesse tipo de prática, minha opinião é totalmente favorável ao “geohotz”, que é permitir que a comunidade desenvolvesse aplicações ao dispositivo. Tanto é que a alegação do usuário “caçado” foi justamente essa, tudo que ele queria era colocar de volta o recurso OtherOS que a Sony uma vez vendeu junto com o equipamento, e, através de atualizações de software o removeu.

Após uma briga de gato-e-rato na justiça, a Sony e o “geohotz” fizeram um acordo e o processo foi encerrado, mas por trás disso, ficaram milhares de usuários que estavam apreensivos com a possibilidade de tornar a ver recursos removidos do console, disponíveis novamente.

Hei! Quero manutenção também!

Heis que aconteceu a invasão. Informações sensíveis de mais de 70 milhões de usuários foram expostos a estes que conseguiram explorar a uma vulnerabilidade básica presente em um servidor web, e 2 dias depois de ocorrida a invasão, quando a Sony percebeu, “puxou a tomada” dos servidores que suportavam os serviços PlayStation Network e Qriocity. Vale lembrar que, quase 2 semanas mais tarde, perceberam que outro serviço pode ter sido explorado, o SOE – Sony Online Entertainment – responsável por suportar as redes de jogos online como DC Universe, Free Realms, franquia online de Star Wars, entre outros jogos, e estes serviços também foram desligados temporariamente.

Estima-se que que a Sony está perdendo entre 1,5 e 24 bilhões de dólares com esta invasão, sem contar com a perda gerada por toda a indústria de jogos eletrônicos, desde a venda de títulos compatíveis com a plataforma até a consideração de utilizá-la como suporte a futuros títulos e soluções. Definitivamente não é a melhor forma de punir uma empresa, claro, talvez o invasor, ou invasores, sequer se interessavam por Linux ou retrocompatibilidade no PS3, ou não sabiam sequer quem era esse tal de “geohotz”, mas com certeza colocou o mercado para voltar a pensar rigorosamente em segurança da informação, assim como satisfazer seus usuários. Custe o que custar.

Custo “Sony” no Brasil

Aqui no Brasil vivemos uma época engraçada. Ainda temos um índice longe do desejável de habitantes com formação escolar. A distribuição de renda é terrivelmente desproporcional e… como toda cultura fútil – como a dos brasileiros – adquirir um bem de consumo caro é artigo de luxo, lhe dá status.

Em qualquer outro país, Sony é uma marca bastante conceituada que cria produtos eletrônicos… e só. No Brasil, é um artigo de luxo. Lá fora, a Sony vende televisores e notebooks como qualquer outro, e concorre com a Toshiba, Samsung, Dell, HP, Asus… concorre com marcas do mesmo porte. No Brasil, o preço dos produtos da Sony é sempre o mais alto, indiscutivelmente. Sua linha de televisores e players Bravia é muito acima da média, assim como sua linha de notebooks Vaio, assim como sua linha consoles PlayStation. Quem trazer de fora em uma viagem, incluindo impostos, desembolsará no máximo 800 reais em um PlayStation 3, se prepare para pagar 1600 reais caso queira comprar no Brasil (isso porque está em oferta, após 3 meses o preço dele tornará a ser os antigos 2000 reais).

Eu não estou comemorando a falha da Sony em expor informações de seus usuários, minhas informações também estão com eles, assim como as informações de outros milhões de clientes. Mas me satisfaz saber que ao menos parte do público que tratava a Sony como uma marca impecável e de excelência, rebatendo com argumentos esdrúxulos as mudanças de postura da empresa quanto a suas promessas, caíram em si. Perceberam que a Sony é uma marca respeitável, de qualidade… e só, que não é diferente das demais concorrentes do mesmo nível. Era só isso que eu tinha para falar.