Publicado originalmente aqui.

O mercado de jogos
Por Ivan Carlos em 19/4/2011



O mercado de jogos eletrônicos recebeu mais um golpe neste último sábado (9/4), vítima de um jornalista que adicionou à sua matéria opiniões pessoais em relação a alguns desses jogos. É triste ver a facilidade com que alguns profissionais acabam adicionando opiniões mal formadas sobre assuntos que desconhecem como justificativa para um fato tão delicado e trágico como o que aconteceu em nosso país.

O jornalista Antônio Werneck não esconde seu repúdio em relação aos jogos eletrônicos, de certa forma inexplicável, conforme divulgado em seu perfil no Twitter:

“Se vc não gosta de jogos eletrônicos violentos e armas como as que mataram crianças na @emtassosilveira dê um RT. O país agradece.”

“Prezados @Dulogan e @felipevinha :armas e jogos violentos como o GTA devem ser banidos. Evitariam mortes como na @emtassosilveira e burros.”

“Amigão @felipevinha , com todo respeito: mas considero o jogo GTA uma grande bestialidade. Gostaria que vc tivesse outros interesses.”

Correção não foi esclarecida

Foi nesta linha de pensamento que a matéria “Wellington tinha interlocutor, com quem falava sobre religião e jogos eletrônicos de guerra” foi escrita. Em certa parte do texto, são apresentados fatos que não condizem com a realidade:

“… Os investigadores conseguiram rastrear um blog feito por Wellington, que usava a página na internet para disseminar mensagens desconexas sobre religião e jogos como GTA e Counter Strike (CS), onde o jogador municia a arma com auxílio de um Speed Loader, um carregador rápido para revólveres usado por ele no massacre de alunos na Escola Municipal Tasso da Silveira. Nos dois jogos, acumula mais pontos quem matar mulheres, crianças e idosos.”

Como é sabido – e ambos os jogos estão à venda para quem quiser comprovar – nenhum dos título utiliza esse tipo de equipamento (Speed Loader); tampouco premiam o usuário por matar mulheres, idosos e crianças. Sequer existem esses tipos de personagens nos cenários.

As comunidades de jogadores, com apoio inclusive da Acigames – Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games – mandou e-mails aos editores do O Globo e publicou artigos exaustivamente na blogosfera para que dessem o devido tratamento a matéria, que foi editada no início desta segunda-feira (11/4), mais de 48 horas após sua publicação, e sem qualquer nota esclarecendo a correção tampouco informando que esta foi feita.

Leia também

http://www.acigames.com.br/2011/04/gamefobia-como-ignorar-mazelas-sociais-e-a-pequenez-humana/

http://www.kotaku.com.br/conteudo/como-distorcer-fatos-e-influenciar-pessoas-usando-gta-e-counter-strike/

http://regames.wordpress.com/2011/04/10/o-globo-e-a-tragedia-em-realengo-uma-carta-de-repudio-a-doutrinacao-e-a-falta-de-etica/

http://gamehall.uol.com.br/gamesgeral/2011/04/10/tragedia-rio-e-culpa-dos-games/

http://www.nintendoblast.com.br/2011/04/e-os-videogames-viram-o-vilao-mais-uma.html

http://www.gamevicio.com.br/i/noticias/76/76236-a-imprenssa-tentando-colocar-culpa-nos-jogos/