No dia 5 de janeiro eu fiz uma publicação chamada “…e se fosse contra os EUA?“, falando sobre uma acusação contra o filme Avatar de ser “anti-americano” e uma comparação com o jogo Call of Duty: Modern Warfare 2, onde o jogador pode mata covardemente civis russos.

Neste post, eu levantei a seguinte questão: “Como seria a receptividade do governo dos EUA, em especial aqueles com algum vínculo ao partido republicano, se uma empresa fora dos EUA como a francesa Ubisoft lançasse um jogo parecido, com uma missão chamada “No American” e tivesse como missão sair atirando em todo mundo que estivesse em Manhattan?”



Pois é, aconteceu. E aconteceu por parte de uma empresa sediada nos Estados Unidos. E como era de se esperar, eles foram repreendidos.

A Eletronic Arts tem anunciado, a cerca de 1 ano, um novo título para a série Medal of Honor, e o jogo, de mesmo nome (sem qualquer subtítulo) conta com os eventos após o fatídico “11 de setembro”, após o suposto ataque contra o World Trade Center de New York, que resultou na invasão dos Estados Unidos ao Afeganistão e a guerrinha contra o Taliban. Na verdade, a rede terrorista aliada ao Afeganistão não é o Taliban, mas sim a Al Qaeda, porém, como possuem ligação com o Taliban, os estadunidenses – estúpidos como são – colocam tudo no mesmo saco e cultivam um repúdio contra todos.

Para efeito de ambientação, os modos “single player” do jogo são, claro, o jogador controlando um soldado americano contra a horda de soldados inimigos, porém, para tornar o jogo mais realista em seu modo “multiplayer”, o time adversário dos Estados Unidos foram nomeados de… Taliban.

“Que absurdo! Nenhum jogador pode se divertir matando soldados americanos em uma equipe chamada Taliban!!” Heis que o jogo de politicagem e boicotes começaram. O exército americano ficou dividido, algumas revendedoras e distribuidoras do jogo se recusaram a trabalhar com esse jogo, simplesmente pelo fato de existir a possibilidade de usar o nome Taliban contra os Estados Unidos.

Ao invés de a Eletronic Arts seguir seu rumo e ignorar a opinião de quem não foi com a cara do jogo (assim como fez a Activision quando reclamaram sobre o capítulo “No Russian”), eles renomearam o time de “Taliban” para “Opposing Forces”. Ou seja, eles quebraram a identidade do jogo em um movimento claro de censura própria para agradar a meia dúzia de distribuidores que concordaram que matar civis russos é correto, porém matar soldados estadunidenses não. A meu ver, independente de paixão a pátria, matar civis inocentes é muito mais grave que um combate entre soldados.

Pior, muitos distribuidores não mudaram sua posição de não revender o jogo após tal “censura”. A Eletronic Arts só conseguiu perder, ela perdeu terreno por causa da pressão republicana, perdeu ao ceder para uma censura discriminatória sem fundamento, perdeu mercado por quem queria encontrar uma lore decente e encontrou um jogo adaptado aos moldes da opinião da minoria, e por fim, perdeu pelo próprio jogo, que não conseguiu chegar perto da qualidade da série Call of Duty, que é a franquia concorrente.

O jogo Medal of Honor (2010) foi lançado no dia 12 de outubro de 2010 para PC, PlayStation 3 e Xbox 360, foi desenvolvido por 2 times de desenvolvimento da Eletronic Arts (Danger Close e DICE) e distribuído pela própria Eletronic Arts.