Ressuscite seu computador trocando uma única peça

Eu possuo um PC para jogos relativamente bom. Não é novo, nem um pouco, mas é bom.

Um Intel i7 de 3a. geração, 8GB de RAM, 2 HDDs com alguns terabytes de espaço, uma placa de vídeo NVidia montado pela ZOTAC, com uma Geforce GTX 465 (que antigamente eram duas, mas uma delas faleceu precocemente) e uma coisa na cabeça: Eu nunca experimentaria uma placa ATI na minha vida.

O trauma com as placas ATI vem da época em que os pacotes de drivers das placas de vídeo não eram bem trabalhados. No século passado, quando ainda usávamos Windows 98, tínhamos diferentes versões de drivers para rodar diferentes jogos, era uma bagunça generalizada, pois cada novo jogo praticamente te obrigava a instalar um novo driver ou uma versão não oficial modificada dele, mas que era incompatível com algum jogo anterior. Não que a NVidia fosse melhor na época, na verdade as placas da NVidia eram totalmente neglicenciadas pelo mercado, foi aí que a ATI ganhou força, e sua má fama no pontapé inicial.

Eu tinha o mesmo preconceito com os processadores Celeron da Intel, e para não deixar ninguém de fora, também fugia dos processadores da AMD. Tanto a linha Celeron da Intel, quanto os processadores AMD possuíam um cache muito baixo, o que impactavam diretamente na capacidade de armazenar e velocidade de entregar cálculos de instruções, resumindo, sua velocidade de ciclos era impactada pela incapacidade de armazenar dados do próprio processador, e não como de costume pela velocidade de ciclos ou I/O do equipamento.

Em um belo dia, a AMD comprou a ATI, e eu prometi nunca mais olhar para a cara da AMD. Até hoje.

Convencido de que minha birra de quase 2 décadas atrás não fazia mais sentido, resolvi colocar a prova uma das placas mais desejadas da AMD para me convencer de que aquele cenário caótico, onde nada na computação parecia ser uma ciência exata, já não existia mais.

A idéia é: Ressuscitar meu computador trocando somente a placa de vídeo e fazer um benchmark sobre o suposto ganho que teria com essa troca.

Primeiras impressões:

A placa que recebi é uma AMD Radeon R7 370 montado pela MSi, com belos heat-pipes, um cover vazado e um belo aviso dizendo que, se o cooler não estiver girando, é normal, pois a placa foi desenhada para se manter fria e somente aciona os cooler quando necessário, ou seja, menos barulho!! Também notei que ele possui “somente” uma entrada de energia para PCI-E, o que significa maior eficiência energética. Digo “somente” pois as placas da NVidia são conhecidas como devoradoras de energia, a Geforce GTX 465 da ZOTAC por exemplo possui 2 entradas de energia.

Teste de performance, o famigerado benchmark:

Para fazer esse teste eu rodei meu amigo 3DMark Vantage Advantage, que estava à venda no Steam, mas que foi removido para dar lugar ao novo 3DMark, que pode ser comprado aqui e custa 44.99 reais.

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Minha configuração antiga obteve 14.268 pontos de performance, sendo 12.513 pontos de poder gráfico. É uma ótima pontuação, considerando que estamos falando de um computador montado a mais de 4 anos, e que bate com aperto a média dos notebooks destinados para jogos de 2013 rodando com uma AMD Radeon HD 7970M, e que possuem 12.424 pontos de performance.

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Já a nova configuração, utilizando a amigável placa que está tentando conquistar um lugar no meu coração, o computador alcançou 25.105 pontos de performance, sendo 24.906 pontos de poder gráfico! Meu poder gráfico literalmente DOBROU somente com a troca de uma placa!!

Mas… sabemos que testes de benchmark possuem métodos um tanto obscuros na hora de calcular essas pontuações. Você pode conferir os relatórios técnicos do benchmark do computador com a placa antiga da Nvidia aqui, e com a placa nova da AMD aqui.

Primeiro teste prático: Ultra Street Fighter IV

Embora eu seja uma toupeira nesse tipo de jogo, adoro jogos de luta, quase tanto quanto gosto de World of Warcraft, então vamos começar por eles.

No benchmark do jogo usando minha configuração antiga temos uma média de 217 quadros por segundo.

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No benchmark usando a placa nova, a taxa foi para 298 quadros por segundo. Note que não temos sequer 50% de ganho de processamento, mas considerando que as taxas estão absurdamente acima dos 60 quadros por segundo, outras variantes podem ter impedido esse teste de alcançar maiores taxas.

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Eu particularmente acredito que o gargalo não foi o processamento das placas, mas sim a velocidade de I/O da PCI-E ou de algum outro componente para lidar com a quantidade de texturas exigida para tantos quadros, digo isso pois não notei variação durante essa execução, as médias foram constantes.

Segundo teste prático: Street Fighter V

Quando eu comprei esse jogo já sabia que estava dando um tiro no pé: Ele não iria rodar sequer amigavelmente no meu computador. Considerando que o jogo ainda tenta fazer uma transição suave entre os quadros, a taxa de quadros que o jogo mostra não me mostra uma perda de frames real na tela, mas sim deixa o jogo muito, mas muito mais lento! Por um lado ele continua bonito de se ver em uma taxa baixa de frames por segundo, mas inviabiliza o uso do jogo em partidas online.

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Eureka!!!! A placa da AMD ressuscitou meu computador!!!!!!!! Eu consigo jogar Street Fighter V!!!! Com os gráficos no máximo!!!!! Em FullHD!!!!!!!!! \o/

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Teste final: World of Warcraft

Eu pensei em mais ou menos 2903 opções de jogos (o número de jogos que possuo no Steam) que eu poderia testar para colocar essa Radeon R7 370 para sofrer, mas resolvi apelar para o bom e velho World of Warcraft, por um motivo muito simples: Mostrar que aquele “joguinho online cartunizado de RPG” não é nada levinho, principalmente colocando literalmente todas as configurações no máximo, incluindo o antialiasing dele que faz qualquer placa de vídeo pedir água, sério, olha:

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Agora segue a mágica que a placa da AMD vez, considerando que essa configuração gráfica tornou o jogo mais inviável de ter qualquer experiência satisfatória que o Street Fighter V:

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Sim, eu tenho 30+ FPS! \o/ É claro que esse tipo de configuração não cabe em um gameplay normal, até porque em uma imagem FullHD, pedir o nível de alisamento que foi configurado para esse teste é ridiculamente desnecessário, mas se alguém estiver com alguma dúvida, em modos gerais, o que eu rodava em 25 FPS usando configuração mediana com a Geforce GTX 465, eu consigo rodar a, no mínimo, 90 FPS utilizando as mesmas configurações com a Radeon R7 370 e confortavelmente mais de 60 FPS utilizando as configurações mais elevadas dos jogos.

AMD, você me convenceu!

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Comparação do benchmark entre as 2 configurações: http://www.3dmark.com/compare/3dmv/5450036/3dmv/5450066

Ivan Carlos

Consultor em TI e segurança, gestão de riscos e continuidade. Mercado e indústria de jogos. Gamer, polímata, cético, centrista. Facebook - Twitter

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