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Quando você joga o jogo dos tronos, ou você ganha ou você morre.

A guerra pelo trono de ferro parece bastante simples olhando de fora, principalmente se você é um fã da série, você provavelmente já viu inúmeros personagens que perderam sua honra e até mesmo partes do corpo quando eles foram desatentos (ou até muito burros demais) para descobrir o que estava por vir. Mas isso se torna muito mais difícil quando é você na berlinda sendo queimado vivo, e Game of Thrones: A Telltale Game Series faz você sentir a queimadura na carne. Um turbilhão de incertezas e hesitações está presente em cada decisão do jogo lhe deixando na ponta da cadeira, não só capturando o espírito de Game of Thrones, mas expandindo o universo da série de uma forma na qual você se sente verdadeiramente parte do elenco, colocando a vida de seus personagens totalmente em suas mãos. Embora possa ser um pouco confuso para aqueles que ainda não estão acostumados ao universo criado por George RR Martin, é tudo o que um fã de Game of Thrones poderia pedir e merece um lugar de honra ao lado do show que o gerou.



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História

Ao invés de tentar reencenar eventos da série de livros que o show já cobriu, o jogo da Telltale se concentra em um elenco totalmente original (mas aprovado por Martin) de personagens ao longo de suas 20 horas de execução. Aqui aprendemos a história da Casa Forrester, um clã de vassalos leais à Casa Stark, em risco de extinção quando seus benfeitores são traídos e o patriarca dos Forrester morre em meio ao caos.

Você joga como vários membros da família, espalhados desde Porto Real até a muralha, e tem que fazer o seu melhor para mantê-los vivos e trabalhando em conjunto para salvar sua Casa. Tal como acontece com todos os Game of Thrones, você pode esperar um conto repleto de intriga política e violência brutal, embora a história dos Forrester também tenha um lado impressionantemente humana – personagens que parecem sem vida e desinteressados no início da história tornam-se genuinamente profundos, envolvendo as pessoas ao redor até o fim, com momentos de verdadeira ternura polvilhados em contraste (e até mesmo intensificando) a desgraça e melancolia já conhecidos e amados do universo Game of Thrones. No final, você realmente quer mantê-los seguros (e vivos) por razões emocionais e não apenas para “vencer o jogo”, porque eles são (ou se tornam) pessoas fascinantes, e não apenas os meros personagens ao redor do mundo digital.

O jogo empresta muito material de origem da série de TV e não dedica muito tempo para explicar essas referências, por isso, se você não viu a série, muitas vezes você pode vir a ficar confuso quanto ao que está acontecendo em torno de você ou porque aquilo é tão importante. Na verdade, o jogo abre com um evento catalisador do programa de TV, e se você ainda não estiver em a todo vapor sobre o como aquele acontecimento afeta toda a história, você vai rapidamente se sentir perdido. Você ainda pode jogar o jogo mesmo se você não sabe absolutamente nada sobre a série, até por que o foco está nos Forrester, mas há será sempre uma sensação de que você deveria ser mais afetado por alguns dos acontecimentos ou fatos que veem a tona pelos personagens secundários que aparecem e criam problemas para os nossos heróis.

No entanto, aqueles que já acostumados ao show (ou pelo menos familiarizado com tudo acima da quarta temporada) vão sentir uma profunda e constante sensação de desconforto. E é perfeitamente isso que mantém um sentimento crítico de suspense, por isso mesmo em seus momentos de ação sejam como um mero jantar com os vizinhos esnobes dos Forresters, enquanto o perigo é real apenas em uma palavra errada ou ausente. Combine isso com uma a tensão de um clímax difícil de suportar, e o resultado cria um drama perfeita que sabe exatamente como te quebrar e lhe deixar clamando para descobrir o que vem a seguir.

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Gameplay

A jogabilidade é bastante básica e familiar a esse estilo de jogo dividida em duas partes aonde a maior delas é a interatividade que vem como opções de diálogo, bastante padrão em jogos da Telltale, que lembram muito os diálogos de jogos como Mass Effect e Star Wars Knights of the Old Republic, sendo a segunda parte alguns quick time event (aqueles botões que temos que apertar na hora certa e algumas vezes em sequencias certas para avançar na animação).

Muitas das suas decisões têm consequências duradouras que são difíceis de ver antes do tempo, por isso a escolha que você pensou que era estúpida e sem sentido em um episódio anterior poderá salvar seu pescoço no episódio seguinte… ou condená-lo.

Agora se você já fica aflito com opções de diálogo em conversas, mesmo que normais, imagine ter que tomar decisões de vida e morte enquanto, literalmente, o cronómetro está correndo e a tela trepidando e escurecendo, pode facilmente deixá-lo paralisado pela indecisão. E muitas vezes elas realmente eram decisões de vida ou morte – ao contrário de alguns jogos anteriores da Telltale onde os destinos dos protagonistas são pré-definidos, independentemente do caminho percorrido, personagens principais aqui podem sair vivos ou perderem a cabeça, se você se descuidar. Basicamente, é o uso mais eficaz de modelo com base em decisão da Telltale até à data, partes iguais de desconforto, preocupação, e estímulos para ir adiante (seja amor próprio, a família ou vingança).

“Você não sabe nada” nunca soou tão perfeito.

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Gráficos e Áudio

O estilo do jogo é levemente cartunesco ao qual os fãs da Telltale já estão acostumados, presentes em The Walkind Dead, The Wolf Among US e Tales from the Borderlands. Visualmente falando ele agrada aos olhos, porém ainda existem algumas expressões e movimentos dos personagens que acabam nos tirando da imersão e mesmo o jogo sendo muito bem trabalhado nisso, devido a ser um jogo de interpretação onde você realmente encarna no personagem, qualquer deslize acaba sendo estranho. Ainda assim não existe muito que reclamar do visual do jogo.

A parte do áudio é muito bem feita e embora não tenha tantas partes extremamente marcantes (fora a trilha sonora emprestada da abertura da série no início de cada episódio do jogo) não teve nada que chegasse a ressaltar os olhos negativamente também. Os dubladores escolhidos para cada personagem também foram muito bem escolhidos, com cada voz encaixando bem e conseguindo ajudar bastante na ambientação do jogo.